quarta-feira, 2 de julho de 2008

O CHORUME - MÚSICA

Por Raphael Dias Nunes

O MISTÉRIO SEM FIM

A lenda que gira em torno da sincronização entre o filme " O Mágico de Oz" e o disco "The Dark Side of The Moon"


O assunto é pra lá de batido. Alguns acreditam numa verdadeira sincronização genial feita pelo Pink Floyd, outros já são mais céticos e afirmam ser mera coincidência. Mas o fato é que o a brincadeira funciona e impressiona. Basta cortar o som original do filme "O Mágico de Oz" e, assim que o leão da MGM dar o seu terceiro e último rugido, apertar play no disco "Dark Side os The Moon", do Pink Floyd. A partir daí, uma nova trilha sonora alternativa é dada ao filme, feito em 1939. O disco, que é considerado por muitos a grande obra-prima da banda inglesa de rock progressivo, foi gravado em 1973, bem depois do lançamento do filme.
As coincidências entre as duas obras - filme e disco - começam já pela capa do CD: O prisma óptico que recebe uma faixa luminosa branca em seu lado esquerdo, que é convertida em um feixe colorido no lado direito, pode ser comparado com a natureza revolucionária do filme, o primeiro a usar a tecnologia Technicolor. É possível se fazer uma analogia com o momento em que o filme sai do preto e branco para o colorido. Com o filme já em execução, são diversos os momentos em que existe total sincronia do som com as imagens. Já no início, com a apresentação dos créditos, o som tranquilo de "Breathe in The Air". Na entrada de "Time", o clima tenso do filme combina com a introdução da música. Há ainda outros bons momentos, como em "Us and Them" e em "Brain Damage". Mas o grande momento mesmo se dá em toda a brilhante faixa "The Great Gig in The Sky" e, logo em seguida, em "Money". A cena do tornado é agonizante assim como os grito estridente feminino dado na música, os momentos de desespero parecem acompanhar cada suspiro da cantora. É uma harmonia perfeita durante toda a faixa, que é de deixar de cabelos em pé. Em sequência, a menina Dorothy abre a porta da casa, entrando no mundo de Oz e tornando o filme colorido, ao som do barulho dos caixas e do clássico solo de baixo, na introdução de "Money". O trecho pode ser conferido em http://www.youtube.com/watch?v=uNbv0L1x0iA .
A polêmica em torno dessa brincadeira é grande. Muitos acreditam que é loucura, coisa de doidão. Outros dizem que isso foi feito prositalmente na mais absoluta das certezas, mesmo com o fato sendo negado com veemência pelos próprios músicos do Pink Floyd. A questão fica por conta do espectador. A única certeza é a diversão garantida ao ver essa curiosa mixagem.


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INDICAÇÃO CHORUME


Groundation - Young Tree

Para quem gosta de reggae de qualidade, o álbum "Young Tree" é um prato cheio. Aliás, a qualidade da banda é de impressionar. Seja tanto na diversidade das influências para se construir um reggae que não perde suas raízes, quanto na qualidade dos músicos e dos instrumentos utilizados. Adeptos a Jah, o grupo americano de reggae espiritual citam seu Deus diversas vezes e mantém a excelência do som originado na Jamaica, no grupo The Waillers. Não é à toa que eles são considerados a melhor banda de reggae da atualidade. Muitos ainda acham que dentro do gênero musical, eles ficam atrás apenas do rei Bob Marley.
O disco, o primeiro dos seis de toda a banda, foi produzido em 1999 e conta com músicas extraordinárias. O sopro e o clima dançante/ alegre pode ser conferido na maioria de suas faixas, com a exceção de "Dream", uma faixa completamente diferente do todo o álbum, e por isso, uma das melhores, senão a melhor. Com um piano clássico misturado a uma batida de guitarra típica de reggae, a percussão é delicadamente caprichada neste som. Os solos de piano são lindos e deles, pode-se perceber a influência que o jazz tem sobre a banda. Nas demais faixas, o destaque fica para "Long Long Ago", "Glory To The Kings", "Confusing Situation" e "Craven Fe' Death", onde se pode distinguir o clima de relaxamento/ suavidade provocado pela percussão e o sopro, sem deixar de ter momentos alegres e empolgantes na mesma música. Um capricho. Nas duas últimas faixas, a banda arrisca um Dub, em "Groundation Chant" e em "Groundation Dub", mostrando que o eco característico do Dub também viria a influenciar o grupo.

Um comentário:

Nelson disse...

não vou nem entrar na questão da crônica em si, mas os assuntos e bandas comentados simplesmente são sensacionais..
merece meu comentário.